Planeias uma escapadinha de primavera e já estás a pensar na música e nos snacks, mas não tanto no carro? Antes de encher a mala e arrancar para a autoestrada, vale a pena perder meia hora a preparar o veículo. Ganha-se em segurança, gasta-se menos combustível e é mais fácil evitar multas de excesso de velocidade.
Rever o carro antes
Começa pelo básico: óleo do motor, líquido de refrigeração e limpa-vidros. Níveis baixos aumentam o risco de avarias e sobreaquecimento, sobretudo quando o carro passa de percursos curtos na cidade para viagens longas e contínuas.
Os pneus são decisivos. Verifica a profundidade do piso (abaixo de alguns milímetros a aderência na chuva cai muito) e ajusta a pressão a frio, seguindo o valor indicado na porta ou no manual. Pneus 0,3 bar abaixo do recomendado podem aumentar o consumo em 3–5% e desgastar-se muito mais depressa, o que significa trocar um jogo de várias centenas de euros mais cedo do que o necessário.
Olha também para os travões (ruídos metálicos, vibrações no pedal) e para as escovas limpa-vidros. Na primavera a chuva pode ser súbita; ver mal durante alguns segundos a 120 km/h é tempo suficiente para um susto sério.
Cuidado com a bagagem. Não ultrapasses o limite de carga do tejadilho (normalmente 50–75 kg, incluindo barras e caixa), e distribui o peso o mais abaixo e centrado possível. Uma mala de tejadilho pode aumentar o consumo em 10–25% a 120 km/h; barras vazias penalizam cerca de 0,3–0,5 l/100 km sem qualquer benefício.
Poupar combustível na estrada
A forma como conduzes pesa quase tanto como o tipo de motor. Acelerações suaves, trocas de mudança cedo e antecipação do trânsito podem reduzir o consumo em 10–20% face a uma condução agressiva. Numa viagem de 500 km, isso pode significar poupar facilmente 5–10 litros de combustível, ou seja, cerca de 8–15 €, dependendo do preço por litro.
Manter uma velocidade estável é meio caminho andado. O cruise control (sistema que mantém automaticamente a velocidade escolhida) ajuda a evitar acelerações desnecessárias e pequenas distrações de pé pesado. Em descidas longas, usa o travão-motor, engrenando uma mudança mais baixa, em vez de travar constantemente; protege travões e mantém melhor controlo do carro.
A velocidade escolhida tem impacto direto na carteira. Entre 100 e 120 km/h, muitos carros consomem mais 15–20%; numa etapa de 300 km a diferença em tempo real costuma ser de poucos minutos. Já o ar condicionado pode aumentar o consumo em 5–10% em motores pequenos, mas em autoestrada é quase sempre melhor do que ir com os vidros abertos, que criam mais resistência ao avanço.
Um bom planeamento também ajuda a gastar menos. Definir o percurso com antecedência e evitar horas de maior tráfego reduz o pára-arranca, onde o consumo dispara. Abastecer fora da autoestrada costuma ser mais barato por litro, mas só compensa se o desvio for curto.
Velocidade, radares e multas
Nas estradas portuguesas, os limites variam normalmente entre 50 e 120 km/h, consoante o tipo de via. Vale a pena confirmar as placas, porque um pequeno excesso constante pode sair caro, sobretudo em zonas com radares fixos ou troços com controlo médio de velocidade, que calculam a velocidade média entre dois pontos.
Conta sempre com o facto de o velocímetro do carro tender a marcar alguns quilómetros por hora a mais do que a velocidade real, normalmente 3–7 km/h. Se o carro indicar 120 km/h, é provável que estejas um pouco abaixo disso, mas não uses esta margem como desculpa para “forçar” o limite. Se o teu carro tiver limitador de velocidade (função que impede passar de um valor definido), é uma boa ferramenta em viagens longas ou troços com muitos radares.
As coimas por excesso de velocidade podem ir de algumas dezenas a vários centenas de euros, consoante o quanto se ultrapassa o limite. Nos casos mais graves há perda de vários pontos na carta, possível inibição de conduzir e impacto no preço do seguro nos anos seguintes. Em períodos de férias e fins de semana prolongados, a fiscalização costuma ser mais intensa em zonas com mais tráfego e histórico de acidentes.
Checklist
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Pneus com pressão correta e piso em bom estado.
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Óleo, refrigeração e limpa-vidros verificados e completados.
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Faróis e piscas a funcionar; para-brisas limpo e sem fissuras.
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Documentos, seguro e inspeção periódica obrigatória em dia.
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Triângulo, colete refletor e roda suplente ou kit de reparação operacionais.
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Pausas de 15 minutos a cada cerca de 2 horas de condução.
Uma viagem de primavera bem preparada começa muito antes do quilómetro zero. Ajustar o carro, moderar a velocidade e aceitar chegar alguns minutos mais tarde é, na prática, a melhor forma de poupar combustível, evitar multas e chegar descansado ao destino.