O balanço oficial da campanha “Taxa Zero Ao Volante” registou 788 resultados positivos em 37.196 testes de álcool, durante uma semana de fiscalização. O dado é relevante, mas precisa de ser lido dentro do universo correto e sem conclusões que o relatório disponível não permite. Para quem conduz, a mensagem prática é simples: se houver consumo, o regresso deve ser planeado sem condução.
Leitura dos números
A campanha decorreu entre 18 e 24 de agosto. Nesse intervalo, as forças de segurança fiscalizaram 507.355 veículos e condutores. O balanço indica ainda que foram feitos 37.196 testes de álcool e que 788 deram resultado positivo. São, portanto, três números relacionados com a mesma operação, mas não três medidas equivalentes: um retrata o alcance global da fiscalização; os outros descrevem apenas a componente dos testes de álcool.
Esta distinção evita uma leitura enganadora. O total de veículos e condutores fiscalizados não deve ser tratado como se todos tivessem realizado um teste de álcool, porque a informação divulgada apresenta os dois valores separadamente. Pela mesma razão, os 788 positivos devem ser relacionados com os 37.196 testes, sem usar o volume global da operação como base e sem transformar o balanço numa estimativa sobre todos os condutores.
Limites do balanço
A informação confirmada permite afirmar que houve 788 testes positivos no conjunto de testes realizados durante a campanha. Permite também perceber que a fiscalização teve uma dimensão mais ampla do que a testagem de álcool, dado que o total de veículos e condutores fiscalizados foi apresentado à parte. Para além disso, o material disponível não sustenta conclusões adicionais sobre quem testou positivo ou em que contexto.
Não foi fornecida uma distribuição por valor registado, perfil do condutor, horário, tipo de deslocação ou circunstâncias anteriores à condução. Sem essa desagregação, não é possível apontar grupos ou momentos com maior concentração de positivos. Também não há base, neste balanço isolado, para dizer que a situação melhorou ou piorou; isso exigiria campanhas comparáveis, apresentadas com os mesmos critérios.
Regresso definido antes
Os números não devem servir para calcular a possibilidade de encontrar uma operação ou para procurar uma margem de consumo. O critério operacional mais seguro é resolver o transporte antes do encontro: definir um condutor que não consuma álcool, combinar outra forma de regresso ou deixar desde logo o automóvel parado. Se o plano inicial mudar e houver consumo, a decisão sobre conduzir não deve ser adiada para o fim.
Condutor e passageiros podem acordar antecipadamente a alternativa, para que o regresso não dependa de uma escolha improvisada quando já seria necessário partir. Os 788 positivos dizem apenas o que foi detetado na campanha; o passo útil para a próxima deslocação é separar, sem ambiguidades, o consumo de álcool da condução.