Está parado no trânsito, o carro mal se mexe, e o ecrã acende com uma notificação da app de navegação ou da rede social. Tocar só uns segundos parece inofensivo, mas hoje essa pequena distração pode significar uma multa pesada e perda de pontos. Em poucas palavras, as novas regras apertam o cerco ao uso do telemóvel na mão ao volante; mesmo uma olhadela rápida conta como infração. Na prática, só continua permitido usar o telemóvel se estiver fixo num suporte e sem o segurar, com comandos simples e sem tirar a atenção da estrada.

O que mudou na lei

A lei já proibia o uso do telemóvel ao volante, mas nos últimos anos as coimas subiram e a retirada de pontos na carta ficou mais dura. Hoje, ser apanhado com o telemóvel na mão pode custar várias centenas de euros e cortar uma fatia relevante dos 12 pontos disponíveis na carta.

Se houver reincidência em pouco tempo, o risco deixa de ser só financeiro: pode haver inibição de conduzir durante alguns meses. A fiscalização também está mais visível, com operações específicas, motos e viaturas descaracterizadas, além de vigilância em locais onde há muitos engarrafamentos, precisamente quando os condutores tendem a “espreitar” o ecrã.

Usar sem arriscar multa

O enquadramento geral é simples: mão no telemóvel, mesmo parado num semáforo, é infração. Isso inclui escrever mensagens, trocar a música, mexer no GPS ou até segurar o aparelho enquanto fala em alta-voz.

Para ficar do lado seguro, vale seguir uma regra clara: qualquer interação demorada só deve ser feita com o carro totalmente imobilizado fora da via, num local seguro como uma área de serviço ou parque de estacionamento. O uso de suportes fixos no tablier ou no para-brisas é permitido, desde que o telemóvel não obstrua o campo de visão e seja operado com toques mínimos, de preferência usando comandos no volante ou controlo por voz.

Carros elétricos e apps

Quem conduz carro elétrico (VE, veículo elétrico) depende ainda mais do telemóvel para planear carregamentos, tarifas e autonomia. É tentador ajustar a rota para outro posto de carga já em andamento, sobretudo quando a bateria desce mais rápido por causa do frio, calor intenso ou velocidade elevada.

O risco é que estas decisões, feitas em stress e a olhar para o ecrã, combinam duas armadilhas: distração grave e erro de cálculo de autonomia. Planeie as paragens de carga antes de sair, deixando uma margem de segurança de 15–25% de bateria à chegada a cada posto, e use sempre que possível o sistema integrado do carro ou projeção no ecrã central em vez do telemóvel “solto”. Assim, mantém a informação de autonomia visível e reduz a necessidade de “mexer” no telemóvel em andamento.

Hábitos seguros no dia a dia

Mesmo com sistemas como Android Auto ou Apple CarPlay, a responsabilidade continua a ser do condutor. Se passa muito tempo em vias rápidas, programe previamente o percurso, playlists e apps de carregamento, tal como faz com o destino no GPS do carro.

Em trajetos urbanos, onde há mais paragens e distrações, use o telemóvel como se não existisse enquanto o carro estiver em movimento. Ativar o modo “não incomodar ao conduzir” reduz a tentação de responder a notificações, e os comandos de voz são aliados importantes para chamadas breves ou ajuste de rota sem tirar os olhos da estrada.