Novas regras, mesmas estradas

Se tens a sensação de que “há mais radares em todo o lado” e já não sabes bem quanto pagas por um excesso de velocidade, não é impressão tua. Nos últimos anos Portugal tem ajustado as regras de fiscalização automática e o regime de coimas para tornar o controlo mais constante e menos dependente de operações pontuais. Em termos simples, estas regras definem como é medida a velocidade dos veículos e em que condições se transforma em infração. Servem também para alinhar os valores das multas e as consequências na carta de condução.

Como muda a fiscalização

A principal tendência é a combinação de vários tipos de radares: fixos, móveis e de troço. Os radares de troço medem a velocidade média entre dois pontos, o que desincentiva travagens fortes só “em cima do radar” e depois acelerações bruscas a seguir.

Com a digitalização, muitas infrações passam a ser tratadas quase sem intervenção humana: a câmara lê a matrícula, cruza dados do veículo e gera automaticamente a notificação. Na prática, isto reduz a margem de “sorte” e aumenta a probabilidade de qualquer excesso ser efetivamente sancionado, mesmo fora de grandes operações policiais.

Outra mudança relevante é o foco em zonas críticas: acessos com tráfego intenso, troços com histórico de acidentes e vias onde se circulava muito acima do limite. Nestes locais, os limites podem ter sido revistos em baixa e a sinalização reforçada, o que apanha de surpresa quem conduz “em piloto automático” e se guia apenas pelo hábito.

Multas, pontos e custos

O valor da multa varia sobretudo por dois fatores: o limite da via (por exemplo, 50 km/h em zona urbana vs 120 km/h em autoestrada) e o excesso registado. Ultrapassar ligeiramente o limite costuma traduzir-se em coimas de algumas dezenas de euros, enquanto excessos mais significativos podem chegar a várias centenas ou mesmo ultrapassar a barreira dos mil euros nos casos muito graves.

Para simplificar, pensa em faixas: um excesso moderado, na ordem dos 10–20 km/h acima do limite, tende a ser visto como infração leve, com impacto financeiro, mas ainda gerível. Quando o desvio sobe para 30–40 km/h ou mais, o enquadramento muda: entram em jogo coimas muito mais altas e consequências na carta, com perda de vários pontos e possível inibição de conduzir durante um período determinado.

Em autoestradas e vias rápidas, onde os limites já são mais altos, as autoridades olham com particular atenção para velocidades muito acima do máximo permitido, porque o risco de acidente grave aumenta de forma exponencial. Em meio urbano, mesmo pequenos excessos podem ser tratados com maior severidade se ocorrerem perto de escolas, passadeiras ou locais com muitos peões.

Condução mais defensiva

Perante uma fiscalização mais densa e automatizada, a melhor estratégia é ajustar hábitos para não andar sempre “no fio da navalha” do velocímetro. Pequenas mudanças no dia a dia fazem diferença tanto na segurança como na carteira.

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Deixa sempre uma margem: se o limite é 50 km/h, circula a 45–48 km/h; o velocímetro do carro costuma marcar alguns km/h a mais do que a velocidade real.

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Usa limitador ou cruise control (controlo de velocidade) sempre que possível; em vias rápidas ajudam a manter um ritmo constante sem ultrapassar o máximo.

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Revê os tempos de viagem: sair 5–10 minutos mais cedo reduz a tentação de “recuperar” tempo a acelerar.

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Presta atenção a troços em obras ou com novos radares sinalizados; muitas alterações recentes concentram-se nesses pontos.

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Confere regularmente pressão dos pneus e estado dos travões; um carro em mau estado precisa de mais distância para parar se te deparares com um radar ou travagem brusca.

Se fazes muitos quilómetros por autoestrada, vale a pena revisitar as tuas velocidades de cruzeiro: reduzir de 140 reais para perto do limite legal baixa bastante o risco de multa e pode cortar 5–15% no consumo de combustível.

Com regras mais claras e fiscalização mais constante, conduzir dentro dos limites deixa de ser apenas uma questão de “evitar pontos” e passa a ser parte da gestão normal do carro e do orçamento. Saber onde podem estar os novos radares e manter sempre uma pequena margem de segurança é, hoje, tão importante como abastecer ou fazer a revisão a tempo.