Vai pegar estrada para aproveitar o Carnaval e já está a pensar nas “blitz” e nos radares pelo caminho? A resposta é simples: sim, este ano a fiscalização de velocidade e álcool será reforçada em todo o país, com foco especial nos dias de maior movimento. O etilómetro, aparelho usado para medir o álcool no ar expirado, será presença constante nessas operações. Em termos práticos, ele transforma um simples sopro num resultado que pode significar multa pesada, retenção da carta e até processo criminal.

Onde vai apertar mais

Os órgãos de trânsito brasileiros costumam concentrar equipas nas principais rodovias, especialmente nos acessos a zonas turísticas e em ligações entre capitais e cidades médias. Mas, nos últimos anos, a fiscalização tem-se espalhado também para estradas secundárias, onde muitos condutores relaxam demais no pé do acelerador.

O maior aperto acontece nos fins de tarde e noites de Carnaval, quando há mais festas e deslocações de regresso. São frequentes as operações combinadas: viaturas paradas em fila, cones, agentes a controlar velocidade com radar móvel e, logo à frente, equipas a fazer teste de álcool a quem é mandado encostar.

Velocidade, radares e margens

Os radares – tanto fixos como móveis – estarão a controlar principalmente trechos com histórico de excesso de velocidade e acidentes graves. As autoridades costumam trabalhar com uma pequena margem técnica (poucos km/h acima do limite), mas contar com essa folga é um péssimo negócio: basta um descuido para cair noutra faixa de coima muito mais alta.

Passar cerca de 10 a 20 km/h acima do limite já pode significar uma multa relevante e perda de pontos na carta. A partir de velocidades muito acima da permitida, o risco sobe para outro patamar: além da coima elevada, pode haver suspensão da habilitação e até processo por crime de trânsito em situações extremas, sobretudo se houver acidente.

Álcool: tolerância quase zero

No álcool, a regra é clara: beber e conduzir não combinam, e a fiscalização no Carnaval trabalha praticamente com tolerância zero. O limite legal de alcoolemia costuma ficar próximo de 0,5 grama por litro de sangue, mas consequências sérias começam bem abaixo disso, variando conforme a faixa prevista no Código de Trânsito.

Na prática, já com um ou dois copos de bebida alcoólica muitas pessoas atingem valores de risco, dependendo do peso, metabolismo e se comeram ou não. A partir de determinado patamar, o condutor enfrenta coimas que podem ir de algumas centenas a vários milhares de reais, acumula uma quantidade significativa de pontos e arrisca ainda a suspensão da carta por meses ou mais de um ano.

Impacto no bolso e na viagem

Ser apanhado na fiscalização não dói só na carteira: pode estragar completamente o plano de Carnaval. Se houver retenção do veículo por falta de condutor habilitado e sóbrio, entram em cena guincho, estadia em parqueamento e custos extra de alojamento ou transporte de regresso, facilmente somando mais do que a própria multa.

Além disso, um registo grave no histórico de condução pode encarecer o seguro nas renovações seguintes. Algumas seguradoras penalizam condutores com infrações relacionadas a álcool e velocidade com aumentos de prémio que podem chegar a dezenas de por cento, especialmente se houver reincidência.

Como ajustar a sua condução

Com fiscalização reforçada, a melhor estratégia é planear a viagem assumindo velocidades legais e pausas regulares, em vez de tentar “recuperar tempo” no acelerador. Vale também alinhar o grupo antes da folia: quem vai conduzir na ida, quem regressa mais cedo, quem não vai beber.

-
Saia com tempo extra, contando mais 20–30% de duração pela circulação intensa.

-
Reveja limites de velocidade do percurso e ative o cruise control (controlo de cruzeiro) se o carro tiver, para não se distrair.

-
Se beber, deixe o carro parado e use transporte alternativo; “esperar passar” não garante que o álcool saia do organismo.

-
Verifique pneus, travões e iluminação antes da viagem; um pneu careca ou farol queimado é convite a multa e a problemas em caso de emergência.

Neste Carnaval, a combinação de mais carros na estrada, festa e fiscalização apertada torna qualquer deslize muito caro. Respeitar limites, não misturar álcool e volante e planear a viagem com calma continua a ser a forma mais simples de chegar inteiro – e sem surpresas – ao fim do feriado.