Você pega a estrada para curtir o feriado, trânsito pesado, pressa para chegar, alguém comenta que “é só dar uma aceleradinha”. É exatamente nessa combinação de cansaço, lotação e excesso de confiança que a imprudência cresce – e, em 2026, isso voltou a aparecer nas estatísticas de mortes nas rodovias. A Operação Carnaval 2026 é uma ação nacional coordenada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) para intensificar a fiscalização no período de festas. Ela serve para aumentar a presença de equipes, radares e ações educativas nos principais corredores de tráfego, tentando frear esse avanço da violência no trânsito.
Números que preocupam
O balanço da PRF mostra um esforço de fiscalização sem precedentes, mas ainda assim com aumento de mortes em relação ao Carnaval anterior. A leitura é clara: a estrutura de controle melhorou, porém a mudança de comportamento do motorista não acompanhou no mesmo ritmo.
Foram realizados mais de 166 mil testes de bafômetro ao longo do feriado, um volume que indica abordagens praticamente contínuas em diversos trechos federais. Mesmo assim, cerca de 2,6 mil condutores foram autuados por dirigir sob efeito de álcool ou recusar o teste, o que significa dezenas de flagrantes por hora ao longo dos dias de operação.
Em alguns estados, a proporção é ainda mais preocupante: houve locais em que, de aproximadamente 850 testes, mais de 50 motoristas foram pegos bêbados, com casos de prisão por embriaguez elevada. Isso revela que parte dos condutores segue apostando na sensação de impunidade, mesmo com blitz visíveis e divulgação intensa da chamada Lei Seca.
Álcool, velocidade e custos
Neste Carnaval, os alvos principais foram bem definidos: alcoolemia (álcool no sangue), excesso de velocidade, ultrapassagens proibidas e falta do cinto de segurança. A recusa ao bafômetro, que muita gente ainda vê como “saída”, também gera multa alta e suspensão da carteira, sendo tratada com o mesmo peso da confirmação de embriaguez.
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Dirigir alcoolizado: infração gravíssima, multa que pode facilmente passar de 2 a 3 mil reais, suspensão da CNH e veículo retido.
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Excesso de velocidade: quanto maior o percentual acima do limite, maior o valor da multa e o número de pontos, podendo chegar à suspensão.
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Ultrapassagem em local proibido: além do risco de colisão frontal, a penalidade também é das mais pesadas do código de trânsito.
Para quem planeja viajar, isso tem impacto direto no bolso e no roteiro. Um único flagrante de velocidade ou álcool pode representar o custo inteiro da viagem, ou mais, sem falar em contratar guincho, hospedagem extra forçada e perder dias de trabalho por causa da retenção do veículo ou do processo na carteira.
As campanhas Rodovida e Cinema Rodoviário complementaram a parte punitiva com orientação. Em postos e pontos de parada, equipes mostraram vídeos, explicaram condutas de risco e reforçaram cuidados com cansaço, uso de celulares e planejamento de pausas a cada duas ou três horas de direção contínua.
Motos, cinto e crianças
Outro foco importante foi a Operação 2 Rodas, voltada às motocicletas, que estão entre os veículos mais vulneráveis no feriado. Em um único segmento de rodovia federal, a PRF lavrou mais de 200 autos de infração e recolheu mais de 50 motos irregulares, com problemas de documento, capacete, habilitação ou equipamento de segurança.
Para o motociclista jovem que usa a moto tanto para trabalhar quanto para viajar, isso significa que rodar com escapamento irregular, pneu careca ou documentação vencida deixou de ser “detalhe” e passou a ser risco real de ficar parado no acostamento. Além da multa, a remoção do veículo gera diária em pátio e despesas extras que facilmente passam de alguns salários mínimos se o problema não for resolvido rapidamente.
No carro, o velho problema do cinto ainda persiste, especialmente no banco de trás. A PRF registrou muitas autuações de passageiros sem cinto e crianças soltas ou em cadeirinhas inadequadas. A regra prática é simples: todo ocupante deve usar cinto, e crianças precisam de sistema de retenção apropriado (bebê-conforto, cadeirinha ou assento de elevação) até por volta de 10 anos ou enquanto não alcançarem estatura próxima de 1,45 m.
Para os próximos feriados, a tendência é clara: mais blitz, mais radares e mais controle eletrônico, justamente porque os índices de imprudência seguem elevados. Cabe ao motorista ajustar seu planejamento – sair mais cedo, respeitar limites, não misturar álcool e direção e cuidar dos equipamentos de segurança – para que a diversão não termine em tragédia e dívidas na volta para casa.