Se você está pensando em trocar de carro em 2026, a dúvida aparece rápido: elétrico ou combustão? A decisão já não é só sobre “ajudar o planeta”, mas sobre quanto isso pesa no bolso no dia a dia, em viagens, pedágios e seguro. Em poucas palavras, um carro elétrico é um veículo movido apenas por motor(es) elétrico(s) alimentado(s) por bateria. Funciona com uma bateria recarregável que armazena energia em quilowatt-hora (kWh, unidade que mede consumo de energia), em vez de tanque de combustível.

Recarga e conta de luz

Para quem pode carregar em casa, o custo por quilômetro costuma ser o maior argumento a favor do elétrico. Um modelo médio consome algo entre 13 e 18 kWh/100 km em uso urbano leve, subindo para 17 a 22 kWh/100 km em rodovia, dependendo do estilo de condução e do uso do ar-condicionado.

A tarifa residencial de energia varia bastante pelo país, mas, somando energia e encargos, é comum ficar em torno de 0,7 a 1,5 R$/kWh. Na prática, isso coloca o custo de rodar 100 km em algo como 10 a 30 reais na tomada de casa, contra cerca de 35 a 70 reais de um carro a gasolina de 10 a 14 km/l, considerando preços típicos de combustível.

Em carregadores rápidos de rodovia, o cenário muda. A energia pode custar de duas a quatro vezes mais que em casa, levando o custo por 100 km facilmente para a faixa de 40 a 80 reais. Ou seja: o grande ganho financeiro vem de carregar na garagem ou no trabalho; usar sempre recarga rápida aproxima bastante o custo por quilômetro de um carro a combustão.

Também entra na conta o investimento inicial: muitos fabricantes recomendam instalar um “wallbox” (carregador de parede em corrente alternada, mais potente e seguro que a tomada comum). A instalação elétrica pode exigir reforço, sobretudo em prédios antigos, com valores que vão desde algo próximo a um eletrodoméstico caro até obras mais pesadas, dependendo da distância até a vaga e da capacidade do quadro.

Pedágios, estacionamentos e multas

Nos pedágios, o elétrico é tratado como qualquer outro veículo de mesma categoria: paga o mesmo por eixo e tipo de carroceria. Alguns programas privados de tags ou concessionárias oferecem descontos ou tarifas diferenciadas para veículos de baixas emissões, mas isso varia e muda com frequência; é prudente confirmar antes de contar com o benefício.

A fiscalização de pedágio automático é cada vez mais eletrônica, com câmeras lendo placa e tag. Passar sem saldo suficiente ou sem tag ativa pode gerar cobrança posterior com multa e taxa administrativa. O tipo de motorização não muda isso, mas quem roda muito de elétrico em rodovia tende a depender mais de tag, já que filas de cabine aumentam consumo e reduzem autonomia.

Estacionamentos de shopping, empresas e vias públicas começam a reservar vagas com carregador. Ocupá-las sem estar carregando, ou bloquear acesso à estação, pode resultar em multa de trânsito ou remoção do veículo, dependendo da sinalização local. As câmeras e fiscais focam cada vez mais nesse tipo de infração, comparando tempo de parada e uso efetivo da vaga.

Seguro e manutenção

No seguro, o quadro está em transição. Algumas seguradoras ainda cobram de 10% a 30% a mais em modelos elétricos equivalentes, principalmente pelo custo de reparo de baterias e componentes eletrônicos importados. Em contrapartida, a probabilidade de incêndio ou explosão não é maior que em veículos a combustão, segundo testes independentes, e a taxa de roubo ainda é relativamente baixa por serem carros mais nichados.

É essencial declarar corretamente acessórios de recarga e adaptações elétricas domésticas ao seguro residencial, especialmente se instalar wallbox em vaga coberta. Qualquer curto-circuito ou dano por instalação irregular pode dificultar a indenização.

Na manutenção, o elétrico leva vantagem clara. Não há troca de óleo de motor, velas, filtros de combustível nem escapamento, e a frenagem regenerativa (sistema que usa o motor elétrico para desacelerar e recarregar a bateria) reduz bastante o desgaste de pastilhas e discos. É comum ver freios originais passando de 80 mil km; em contrapartida, pneus podem durar menos por causa do peso maior e do torque imediato.

Em valores globais, revisões programadas dos primeiros anos costumam ficar de 30% a 50% mais baratas que em um equivalente a combustão, mas isso depende muito da marca, da rede de serviços e do custo de peças de carroceria em caso de batida.

Checklist

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Calcule quantos km você roda por mês e quanto gasta hoje com combustível; compare com um elétrico usando consumo médio de 15 a 20 kWh/100 km.

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Verifique se você terá recarga fixa em casa ou no trabalho; depender só de carregador público rápido encarece muito o uso.

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Converse com o condomínio sobre infraestrutura elétrica, rateio de custo e regras para instalação de wallbox na garagem.

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Simule o seguro em pelo menos duas seguradoras, incluindo cobertura específica para bateria e para cabos/carregadores.

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Analise seu padrão de viagem: se você faz muitas rodovias longas, confira a rede de recarga no trajeto e o tempo médio de parada que está disposto a aceitar.

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Considere o valor de revenda e a garantia de bateria (normalmente em anos e quilometragem) na hora de decidir entre comprar, financiar ou assinar um plano por prazo determinado.

Com esses números na cabeça, fica mais fácil enxergar se um elétrico combina com seu uso real e com o seu orçamento em 2026. O importante é tratar a decisão como uma conta de longo prazo, somando energia, pedágios, seguro e manutenção, e não só o preço na etiqueta.